blogdoalentejo
segunda-feira, março 01, 2004
 
A maioria que nos governa escolheu como slogan de campanha, para as eleições europeias a frase “Força Portugal”. Força Portugal ? Força Portugal !!!! quê !?
Apesar das eleições europeias acontecerem em pleno Euro 2004, isto não se trata de futebol, nem é nenhum campeonato. As eleições são um assunto bastante sério, embora quase ninguém o considere. As eleições para o parlamento europeu passaram a ser das eleições mais importantes, que mais tem a ver com os centros de decisão que influenciam a nossa vida. A oposição também embala pela tónica do futebol “cartão amarelo” e “cartão vermelho”. Ninguém se preocupa no essencial, discutir o que é importante. O futuro da nossa boa e velha (não a do Bush) Europa. Talvez não haja ninguém interessado sequer em ouvir falar em Europa e de eleições, afinal há assuntos mais interessantes como a Casa Pia, o Euro 2004, a Casa Pia, o Euro 2004 .... Ninguém duvide no entanto que as eleições vão reflectir a opinião dos portugueses sobre o governo e oposição.
Mas voltemos ao ponto inicial, “Força Portugal” além de ser uma frase que não faz qualquer sentido neste contexto, não tem nada de original, lembram-se da “Forza Itália”, Berlusconi no seu melhor, é este o estilo e a fonte de inspiração desta (PSD – CDS-PP) maioria. Se eles não tem ideias fascistas não falta muito. Se a malta não se põe a pau ainda ficamos sem 25 de Abril.

Luis Pinheiro

domingo, fevereiro 29, 2004
 
O Benfica comemora este fim de semana o seu centenário. Esta é uma data marcante para todos os benfiquistas, para além disso é uma data por todos respeitada. A maior instituição desportiva ( e não só) do país festeja 100 anos de brilhante história que a todos enche de orgulho.
Todos nós, benfiquistas temos de olhar para a frente com as certezas que o passado nos deu, não esquecendo que a história não se repete e que há que trabalhar muito no futuro.
Parabéns a todos nós Benfiquiastas.
segunda-feira, novembro 03, 2003
 
Como já se aperceberam este blog, pretende ser um espaço de reflexão sobre a actualidade. como alentejano que sou procuro acompanhar a realidade alentejana, tentando denunciar o que de mal se faz pelo Alentejo. Gostaria mais de elogiar o trabalho que aqui é feito, mas simplesmente hoje o Alentejo é um vazio de ideias e um imenso vazio para quem tem de decidir. Existem algumas execepções é claro.
Gostaria de partilhar convosco um artigo que me foi enviado por mail, onde se reflete uma forma de Alentejo. Já agora se quiserem colaborar neste espaço podem fazê-lo enviando-me um mail. Gostaria muito que este espaço fosse um espaço de todos os alentejanos.



O Alentejo rural reabitado, por João Sobral


Nas décadas de 60 e 70 foi deixado um espaço vazio no Alentejo, originado pela deslocação de população activa para a periferia industrial dos arredores de Lisboa. Devido à morte dos mais velhos, que ficaram, a situação agravou-se e deu origem a que vastas zonas ficassem quase totalmente desabitadas. Já era perceptível que o Alentejo estava numa fase de transformação. Sabia-se o que o Alentejo tinha sido, e sabia-se que em grande medida já não era o que tinha sido. Mas hoje é já possível compreender os contornos daquilo em que o Alentejo se está a tornar.

Os espaços vazios estão agora a ser reocupados. Há dois tipos de imigração: de nacionais e de estrangeiros. E cada uma destas categorias subdivide-se.

De entre os portugueses, há aqueles que tendo saído para outras zonas do país, ou para o estrangeiro, agora regressam, e aqueles que tendo sempre vivido na cidade, e nunca tendo tido qualquer ligação ao Alentejo e ao campo, para aí se deslocam.

No que respeita aos imigrantes estrangeiros, há três categorias: os hippies que fugiram a um modo de organização social no seu país que era pouco compatível com a sua forma de viver; os imigrantes estrangeiros de uma classe média ou média-alta; e os trabalhadores de países de leste.

Cada um destes grupos tem originado impactos diferentes na forma de convivência e nas regras de sociabilidade estabelecidas. Observemos então cada uma das categorias.

Os estrangeiros da primeira vaga a ocupar os espaços vazios foram os hippies. Este grupo tem um modo de vida muito próprio e relativamente fechado, mas, na generalidade dos casos, respeitou as regras de sociabilidade estabelecidas. Hoje, muitos estão integrados e estabelecidos a tempo inteiro sem que se tenha gerado atrito.

Uma segunda vaga de estrangeiros de classe média ou média-alta encaminhou-se para o Alentejo um pouco mais tarde. Este grupo, por norma, apesar de não se ter estabelecido a tempo inteiro, vindo normalmente por ocasião das férias, tem tido um comportamento notável. Um exemplo disso é o uso não raras vezes activado de convidar os vizinhos para uma festa quando da sua chegada. E por norma comportam-se de acordo com padrões de civilidade, para com a vizinhança, ao longo da sua permanência.

A terceira vaga de imigração é a de trabalhadores do Leste da Europa. Por ser muito recente parece ser cedo para fazer avaliações. Mas aparentemente estão a integrar-se relativamente bem e sem atrito junto da comunidade local.

De entre os portugueses, há aqueles que nasceram e cresceram no interior, que aí têm família, e que estiveram a viver fora, nalguns casos durante vários anos. Quando regressam a reintegração ocorre de forma natural. Têm aí raízes e a memória de um passado vivido. Conservam presentes as regras de convivência da sua comunidade, pelo que nenhum problema aparente se identifica com este grupo.

Surpreenderá certamente quem estiver menos familiarizado com esta nova realidade que sejam os citadinos portugueses – que se têm encaminhado para o Alentejo a partir de meados da década de 90 sobretudo, e que aí vivem a tempo parcial, aos fins-de-semana e nas férias – quem está a gerar o maior atrito.

Sempre que existem transformações rápidas e profundas na sociedade, elas geram atritos e por vezes são custosas. É também natural que a adaptação, dos que chegam relativamente aos que estão, e dos que estão relativamente aos que chegam, demore um certo tempo e exija tolerância.

Mas esse processo de adaptação só será bem sucedido, não gerando situações conflituosas, se se verificar a fórmula de Timothy Garton Ash: I like your food, you like my music. É importante que as comunidades que acolhem tenham a percepção que ao ceder numas coisas está a ganhar noutras com a presença das comunidades que chegam.

Esta fórmula não se está a verificar e a relação entre camponeses e citadinos recém-chegados está desequilibrada. O Alentejo era um espaço de liberdade, não muralhado, ainda que com estremas claramente delimitadas e respeitadas, em que a população partilhava práticas de sociabilidade comuns. No tempo presente há alguns pressupostos que estão alterados. São muitos os camponeses que, sem necessidade de entrarem em reflexões muito elaboradas, chegam facilmente à conclusão de que se está a viver um certo clima de mal estar.

Esse mal estar deve-se essencialmente à forma como os citadinos se comportam no espaço rural. E comportam-se de acordo com os mesmos padrões de sociabilidade, frios, distantes e desconfiados pelos quais se regem no espaço urbano, não tendo o alcance de perceber – como as comunidades de imigrantes estrangeiros tiveram – que em Roma deve-se, no mínimo, tentar compreender alguns costumes dos romanos. E não compreendendo procuram exportar para o campo o modo de vida da cidade.

O conceito de vizinhança está totalmente abalado. Campo é sinónimo de distância relativamente a serviços, pelo que é aos vizinhos que muitas vezes se recorre em inúmeras situações. Isto deixou de ser válido nos mesmos moldes por várias razões: os citadinos esquivam-se ao contacto com os camponeses; plantaram abundantemente placas com a inscrição “propriedade privada” ou “caminho particular” nas delimitações dos seus terrenos, reforçadas por vedações; procuram impedir o acesso a caminhos de serventia, etc. A par disto querem manter-se livres de circular pelos terrenos alheios, encarando-os porventura como públicos, e querem continuar a usar os caminhos de serventia de terrenos vizinhos, que lhes garantem o acesso às suas propriedades. Normalmente estas pessoas não estão predispostas a comunicar com a comunidade local. Vivem em fortalezas muralhadas – veja-se o caso dos condomínios fechados que começam a aparecer no interior, autênticas prisões onde nada mais de imprevisto é permitido acontecer além das alterações climatéricas – evitando o contacto com os camponeses, indisponíveis para perceber o mundo de actividades, de usos, de costumes e de diferenças, que os rodeia.

Citadinos e camponeses pertencem a mundos distintos, e a comunidades de interesses não coincidentes. Vivem de costas voltadas num espaço comum. Estamos apenas no começo de uma tensão que em Inglaterra teve início mais cedo, mas com alguns traços idênticos, e que deu origem à criação da Countryside Alliance, com vista à definição e promoção de uma verdadeira agenda rural. O campo e os camponeses, em Portugal, estão desconsiderados e não se vê sinais de que a situação se altere proximamente.

O Alentejo, e o interior em geral, tornou-se um espaço atractivo para se viver a tempo parcial. Está a tornar-se portanto numa espécie de dormitório, condição que muito remotamente trará benefícios à região.

É absolutamente necessário e urgente pôr as pessoas destes dois mundos em diálogo e definir formas de tornar o interior, e todas as zonas afastadas do litoral e das grandes rotas de ligação, em algo mais edificante a prazo do que um dormitório.

Lx. 10/10/03. João Sobral




segunda-feira, outubro 13, 2003
 
Está neste momento em discussão em toda a Europa a futura Constituição Europeia. A Constituição Europeia vai ser o documento orientador do futuro da Europa e das relações entre os diferentes estados membros e os cidadãos desses mesmos estados.
Eu sou um europeista convicto, defendo um aprofundamento dessa mesma União, sou se quiserem um federalista, talvez não defensor de uma federação como aquelas que nós conhecemos, EUA, Alemanha etc. Mas defensor de uma federação onde cada estado/país possa manter a sua identidade histórica, cultural e onde haja uma efectiva igualdade entre estados.
Como “federalista” defendo a criação de uma constituição a que se submetam todos os países constituintes da união, mas não defendo uma qualquer constituição que crie desigualdades e que acentue as diferenças entre grandes e pequenos países, desigualdades essas que são contrárias ao espirito da criação da união.
Como considero esta uma matéria essencial para o futuro, não vejo outro caminho senão a realização de um referendo sobre a Constituição Europeia. Em Portugal a nossa integração na União europeia nunca foi votada em referendo, os portugueses nunca tiveram uma voz activa e directa nesta matéria. Hoje não há nenhuma razão admissível para a não realização deste referendo. Parece-me contudo que este governo se prepara para inviabilizar a realização deste referendo. Não é admissível que um governo faça chantagem política para a realização de um referendo. A realização do referendo na mesma data das eleições europeias não faz qualquer sentido, o que está em causa neste referendo é a votação de um texto em concreto de uma constituição europeia, e não a própria ideia da existência ou não dessa mesma constituição, por outro lado esse texto que deve ser votado não deve ser confundido com as orientações políticas de cada um que irão ser votadas nas eleições europeias. Parece-me claro que o governo não quer referendar a constituição, mas se o tiver de fazer então que seja em troca da revisão da nossa constituição defendida por Paulo Portas no congresso do PP, ora esta atitude do governo é ilegítima a todos os níveis, pretende “dar” um referendo aos portugueses em troca da revisão da nossa constituição seguindo interesse partidários. Felizmente que o governo para fazer uma revisão constitucional necessita de uma maioria qualificada, coisa a que a oposição já disse não. Cabe agora a todos nós exigir a realização de um referendo em tempo útil, enquanto as negociações na CIG não estiverem encerradas, para que o voto dos portugueses não seja em vão. Porque em Junho, data das eleições europeias, já não se pode alterar o texto da futura constituição europeia, e o referendo não será mais que um gesto simbólico.
Eu como já disse sou favorável à existência de uma constituição europeia, mas não uma constituição qualquer. Olhando para o texto que está neste momento em discussão na CIG (Conferência Inter-Governamental) votaria não, não defendo a existência de uma união onde existam países de primeira e países de segunda, não defendo uma divisão entre grandes países e pequenos países. Todos os países devem ter os mesmos direitos e deveres, todos devem manter um comissário europeu e todos devem ter mesmo peso de decisão.

P.S. No referendo (caso exista), não se deve referendar uma pergunta, do tipo “concorda com a existência de uma constituição europeia?”. Deve-se referendar isso sim o texto da futura constituição europeia. Os políticos não devem ter medo do voto dos portugueses, a não ser que não tenham a capacidade de explicar às pessoas aquilo que está em causa.

Luís Pinheiro – luispinheiro@sapo.pt


domingo, outubro 05, 2003
 
Luis Pinheiro – luispinheiro@sapo.pt

A educação de paixão de um governo, apesar de não ter sido uma paixão com mais baixos que altos, passou a ser a mal amada deste governo. Mais do que mal amada passou a ser um alvo a abater. Talvez o alvo não seja a educação mas sim os estudantes.
Seguindo aquela velha máxima redutora da direita menos estado melhor estado. Este governo passou de imediato à acção, para eles quanto menos for o investimento do estado tanto melhor, afinal quanto menos estado melhor estado, na educação alguém tem de pagar o desinvestimento do governo. Quem mais senão os estudantes? Aumentam-se as propinas. Querem estudar paguem. Todos nós já ouvimos muitas vezes o argumento “têm dinheiro para tudo, menos para pagar propinas”, ou então aquela frase “passem por um qualquer parque de estacionamento de uma qualquer universidade e vejam os carros que lá estão”. Pois eu digo a estes senhores metam-se nos transportes públicos e vejam a quantidade de estudantes que lá andam, ou nas cidades mais pequenas vejam a quantidade de quilómetros que alguns estudantes fazem a pé para economizar nos transportes. E digo mais a estes senhores os estudantes não têm dinheiro para tudo, os estudantes têm é que ter dinheiro para tudo, têm de pagar tudo até as propinas, para mais quando estamos numa situação de crise em que tudo aumenta menos os salários estes senhores não tem vergonha de aumentar também as propinas. E não me venham estes senhores falar em acção social escolar, em bolsas de estudo porque estes senhores sabem muito bem que isto não existe, que muitos daqueles que recebem bolsas de estudo são aqueles que tem os carros lá no tal parque de estacionamento da universidade, aqueles que mais precisam comem sandes e andam a pé....
Eu enquanto estudante acho esta situação intolerável, este ano ainda vou poder continuar a estudar ( a minha faculdade optou pelo valor mínimo), mas até quando?
Só uma pergunta. Se o dinheiro dos nossos impostos não é investido na educação, na saúde, na segurança social etc. então onde é que vão gastar o dinheiro dos nossos impostos?.... Em perdões ficais? Em benesses para as grandes empresas? Será?

Afinal o segredo para entrar em Medicina não é ter notas muito altas, é ser filho de um ministro .... E assim vai este país.



Abriu hoje a caça geral, mas a caça geral a quê? Sim a quê? Só se for caça geral de caçadores. Eu vivo no campo e há já não sei quanto tempo que não vejo um coelho, uma lebre, uma perdiz, não vejo nada daquilo que se possa chamar peça de caça.
Todos os anos aumenta o número de caçadores, por outro lado diminui significativamente o número de animais a caçar. Não seria lógico fazer uma pausa, proibir a caça durante uns anos?
É claro que ainda existe caça. Nas reservas claro. Caça criada para matar, é como numa exploração agriculta, cria-se a caça, mas em vez de se levar para o matadouro, vem uns gajos cheios de dinheiro, vestidos a modo de quem vai para a guerra, matar o vicio, dar uns tiros, ou como todos dizem aliviar o stress. Os defensores das reservas dizem que esta é a única forma de preservar os animais, se este tipo de raciocino se impuser definitivamente, só vamos ter animais nas reservas e nos jardins zoológicos. Animais não humanos bem entendido, porque dos outros infelizmente vou continuar a esbarrar com eles todos os dias na rua.
Na caça como em todas as outras áreas, que tem dinheiro caça, quem não tem fica à porta.


 
Luis Pinheiro – luispinheiro@sapo.pt

A educação de paixão de um governo, apesar de não ter sido uma paixão com mais baixos que altos, passou a ser a mal amada deste governo. Mais do que mal amada passou a ser um alvo a abater. Talvez o alvo não seja a educação mas sim os estudantes.
Seguindo aquela velha máxima redutora da direita menos estado melhor estado. Este governo passou de imediato à acção, para eles quanto menos for o investimento do estado tanto melhor, afinal quanto menos estado melhor estado, na educação alguém tem de pagar o desinvestimento do governo. Quem mais senão os estudantes? Aumentam-se as propinas. Querem estudar paguem. Todos nós já ouvimos muitas vezes o argumento “têm dinheiro para tudo, menos para pagar propinas”, ou então aquela frase “passem por um qualquer parque de estacionamento de uma qualquer universidade e vejam os carros que lá estão”. Pois eu digo a estes senhores metam-se nos transportes públicos e vejam a quantidade de estudantes que lá andam, ou nas cidades mais pequenas vejam a quantidade de quilómetros que alguns estudantes fazem a pé para economizar nos transportes. E digo mais a estes senhores os estudantes não têm dinheiro para tudo, os estudantes têm é que ter dinheiro para tudo, têm de pagar tudo até as propinas, para mais quando estamos numa situação de crise em que tudo aumenta menos os salários estes senhores não tem vergonha de aumentar também as propinas. E não me venham estes senhores falar em acção social escolar, em bolsas de estudo porque estes senhores sabem muito bem que isto não existe, que muitos daqueles que recebem bolsas de estudo são aqueles que tem os carros lá no tal parque de estacionamento da universidade, aqueles que mais precisam comem sandes e andam a pé....
Eu enquanto estudante acho esta situação intolerável, este ano ainda vou poder continuar a estudar ( a minha faculdade optou pelo valor mínimo), mas até quando?
Só uma pergunta. Se o dinheiro dos nossos impostos não é investido na educação, na saúde, na segurança social etc. então onde é que vão gastar o dinheiro dos nossos impostos?.... Em perdões ficais? Em benesses para as grandes empresas? Será?

Afinal o segredo para entrar em Medicina não é ter notas muito altas, é ser filho de um ministro .... E assim vai este país.



Abriu hoje a caça geral, mas a caça geral a quê? Sim a quê? Só se for caça geral de caçadores. Eu vivo no campo e há já não sei quanto tempo que não vejo um coelho, uma lebre, uma perdiz, não vejo nada daquilo que se possa chamar peça de caça.
Todos os anos aumenta o número de caçadores, por outro lado diminui significativamente o número de animais a caçar. Não seria lógico fazer uma pausa, proibir a caça durante uns anos?
É claro que ainda existe caça. Nas reservas claro. Caça criada para matar, é como numa exploração agriculta, cria-se a caça, mas em vez de se levar para o matadouro, vem uns gajos cheios de dinheiro, vestidos a modo de quem vai para a guerra, matar o vicio, dar uns tiros, ou como todos dizem aliviar o stress. Os defensores das reservas dizem que esta é a única forma de preservar os animais, se este tipo de raciocino se impuser definitivamente, só vamos ter animais nas reservas e nos jardins zoológicos. Animais não humanos bem entendido, porque dos outros infelizmente vou continuar a esbarrar com eles todos os dias na rua.
Na caça como em todas as outras áreas, que tem dinheiro caça, quem não tem fica à porta.


domingo, setembro 21, 2003
 
Cercal do Alentejo – Luís Pinheiro (luispinheiro@sapo.pt)

Amanhã 22 de Setembro é o dia da mobilidade, ou seja o dia europeu sem carros. Esta iniciativa da União Europeia não pretende por si só dar uma resposta aos grave problemas ambientais das principais cidades da Europa. Esta iniciativa pretende ser um alerta para os governantes e uma forma de consciencializar os cidadãos para a necessidade de restringir o tráfego automóvel nos centros urbanos.
Todos nós sabemos que esta iniciativa não é suficiente para resolver os problemas ambientais e de tráfego que se verificam nas nossas cidades, mas pelo menos a adesão a esta iniciativa mostra por parte dos políticos uma preocupação e uma disponibilidade para discutir e resolver os problemas. Este ano os autarcas das duas principais cidades Lisboa e Porto, resolveram não aderir a esta iniciativa, entendem eles, que esta iniciativa não passa de um acto simbólico e que não ajuda a resolver os problemas. Pergunto eu se aos políticos responsáveis pela gestão destas cidades, que se sabe ultrapassarem quase diariamente o limite de perigosidade de poluição, como vão encarar os cidadãos esta iniciativa? Se não há vontade para encarar este problema de frente, há que pelo menos dar o exemplo.
Vamos todos amanhã dar o exemplo, se possível vamos deixar o carro em casa, vamos experimentar os transportes públicos, a bicicleta ou andar a pé, de certeza que a saúde agradece.

sábado, setembro 20, 2003
 
Cercal do Alentejo – Luís Pinheiro (luispinheiro@sapo.pt)

E lá partiram os primeiro três elementos da GNR para o Iraque. Este acto representa a concretização da política deste governo em relação ao Iraque. Desde o início que Durão Barroso não deixou dúvidas, Portugal foi um dos principais apoiantes da política belicista de Bush. Quando eu digo Portugal digo obviamente o governo português, porque da minha parte este tipo de política não tem qualquer tipo de receptividade. Mas o certo é que Durão Barroso desde cedo deixou claro a política que o governo ia seguir. Durão Barroso disse que tinha visto provas claras e evidentes da existência de armas de destruição macissa no Iraque, o que faz dele o único homem à face da terra a tê-las visto. Todos se lembram que foi numa cimeira nos Açores que o grupo dos justiceiros, Bush, Blair, Aznar e o grande Durão Barroso, anunciaram ao mundo e decisão de invadir o Iraque.
Talvez nem todos se lembrem, mas eu lembro-me bem, e talvez de todas as posições de Durão Barroso esta tenha sido aquela que mais me choca. Durão Barroso disse num debate na Assembleia da República que Portugal tinha de apoiar o seu aliado mais importante, os Estados Unidos da América... Então Portugal não faz parte dessa realidade que é a União Europeia, será que eu estou enganado, será que aquilo que eu tenho no bolso afinal são escudos ou dólares e não euros, será que eu ando a ver canais de televisão e a ler jornais de outro país onde se fala da construção europeia, do pacto de Bolonha, da constituição europeia, do acordo de Shengen (bem se isto está mal escrito desculpem).
Não eu não estou enganado, este governo é que está. Para este governo Europa significa apenas e só critérios económicos e políticas económicas. Os tempos da CEE (Comunidade Económica Europeia) já lá vão, quando em 1992 Portugal ratificou o tratado de Maasctricht, por sinal um governo do PSD e sem os portugueses terem a hipótese de se pronunciarem, Portugal aderiu a uma nova Europa, a um novo modelo de integração europeia, caminhando a União Europeia para um modelo de integração que engloba não só os critérios económicos e monetários, mas também políticas sociais e da plena igualdade de direitos e deveres de todos os cidadãos dos seu estados membros.
No momento em que se discute a futura constituição europeia não deixa de ser preocupante a atitude deste governo em relação à Europa. Se por um lado è um dos maiores defensores do pacto de estabilidade, nem que isso custe a ruína de todos os portugueses, por outro lado em questões de principio fundamentais na criação e identificação de uma identidade própria para Europa, construída durante as últimas quatro décadas, e no momento mais importante, quando a Europa mais precisa de união não tem problemas em atirar as relações com os parceiros da União Europeia para o lixo e correr como um cachorrinho para o colo do dono quando este assobia (EUA). O governo também não tem problemas em apelar à solidariedade da União Europeia quando precisa (o exemplo mais recente aquando da calamidade dos incêndios), como se a palavra solidariedade só tivesse um sentido.
Talvez sejam por exemplos como este que os suecos mandaram a União Europeia às urtigas na votação do recente referendo de adesão à moeda única, e não a explicação esfarrapada do professor Marcelo Rebelo de Sousa que disse nos seu comentários semanais, que o não dos suecos se devia ao descontrolo orçamental da França e da Alemanha (estes não eram contra a guerra?).

Está neste momento na fase final a discussão sobre a futura constituição europeia, será esta constituição que no futuro irá guiar os destinos da união e em consequência a vida de todos nós, e eu pergunto o que é que os portugueses sabem sobre o assunto? Nada, ou quase nada. É vergonhoso o silêncio dos órgãos de comunicação social portuguesa. E se especulassem menos sobre o caso Casa Pia e cumprissem o vosso papel, informar. Razão tem o Presidente da República ao chamar esta semana a atenção para o facto da comunicação social portuguesa estar na mão de dois ou três grandes grupos económicos. O que é que isto quer dizer, liguem a televisão, vejam os telejornais, comprem amanhã o jornal e reflectiam, reflictam não vos faz mal reflectir .....


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